25.2.10

Ontem, ao luar...


Ontem, ao luar,
Nós dois em plena solidão,
Tu me perguntaste o que era a dor
De uma paixão.
Nada respondi!
Calmo, assim fiquei!
Mas, fitando o azul do azul do céu,
A lua azul eu te mostrei...
Mostrando-a a ti,
Dos olhos meus correr senti
Uma nivea lágrima
E, assim, te respondi!
Fiquei a sorrir por ter o prazer
De ver a lágrima nos olhos a sofrer.

A dor da paixão
Não tem explicação!
Como definir o que só sei sentir?
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração
Não quer dizer.
Pergunta ao luar, travesso e tão taful,
De noite a chorar na onda toda azul!
Pergunta, ao luar,
Do mar à canção,
Qual o mintério
Que há na dor de uma paixão?

Se tu desejas saber o que é o amor
E sentir o seu calor,
O amaríssimo travor do seu dulçor,
Sobe um monte á beira mar,
Ao luar,
Ouve a onda sobre a areia a lacrimar!
Ouve o silêncio a falar na solidão
Do calado coração,
A penar,
A derramar os prantos seus!
Ouve o choro perenal,
A dor silente, universal
E a dor maior,
Que é a dor de Deus.

Se tu queres mais
Saber a fonte dos meus ais,
Põe o ouvido aqui
Na rósea flor do coração,
Ouve a inquietação
Da merencória pulsação...
Busca saber qual a razão
Por que ele vive, assim, tão triste
A suspirar, apalpitar,
Em desesperação,
A teimar, de amar um insensível coração
Que a ninguém dirá
No peito ingrato em que ele está,
Mas que ao sepúlcro,
Fatalmente, o levará.


(composição: vicente celestino)

*
(foto: LUA AZUL)

Um comentário:

  1. Quero, claro que quero saber, não os "ais",
    mas quero saber onde brilha este luar!

    Beijos

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Deixe-me, aqui, uma gota de ti...
Deixe-me o sonhar, o desejo...
Divida comigo teu sentir...